informations et ressources libres sur la Capoeira et ses traditions
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Odorico Tavares
Dans "Bahia - Imagens da terra e do povo"
Odorico Tavares décrit en 1951 :

un jeu de Capoeira dans le barraquement de Mestre Waldemar, ce texte est acompagné des illustrations de Carybé.

"Com os tocadores ao seu lado o mestre levanta a voz, iniciando o canto. Os jogadores, em número de dois, estão de cócoras, à sua frente. é lenta a toada que o mestre canta, como solista e já os capoeiras acompanham-no em movimentos mais lentos ainda, como cobras que começam a mover-se: olhe o visitante atentamente, como aqueles homens nem ossos tivessem, seus membros parecem que recebem um impulso quase insensível, de dentro para fora.

O mestre canta os últimos versos do seu solo e o coro responde, os instrumentos respondem fortes, o ritmo violento, as vozes altas:

Aruandê ê, ê Aruandê Camarado

Já os capoeiras se expandem em gestos, em movimentos, em baile que será sempre surpresa. É dança que é luta: golpes, negaças, rasteiras, numa surpreendente beleza de movimentos. Os homens não se tocam para defesas e ataques que se sucedem em imprevistos de segundos. É um milagre em que a violência de um ataque resulte em outro ataque, em que ninguém se toca, ninguém se fere, ninguém se agride. É combate, é baile que dura horas. Estão suados, mas jamais há o menor ar de cansaço. Pode ser uma criança, pode ser um jovem, pode ser um velho: a resistência é a mesma. No mundo da capoeira não há possibilidade de derrota pelo cansaço físico. ...

Desde os primeiros tempos da escravidão, vindo de Angola, mas como ato de simulação, escondendo, por trás dele, os verdadeiros intuitos dos seus componentes de se adestrarem para a luta, para o que der e vier. Os capoeiras brincando e jogando, nenhuma suspeita poderiam causar aos seus donos. Os negros de Angola já vinham senhores de sua agilidade, de sua força física, postas à prova em mais de uma revolta, em mais de um conflito, em mais de um incidente."

Odorico Tavares décrit aussi les rodas de Capoeira de la fête de Conceição da Praia

(…) E se o ambiente torna-se sufocante, saia-se um pouco e procure-se chegar a estas rodas que em torno da festa se formam. A música ali não tem o colorido, a força da música das rodas de samba. Tudo é um pouco monótono, instrumento estranho dominando os outros; o berimbau comanda a capoeira, dança ou luta que sobrevive na velha Bahia. São os alunos do ortodoxo Juvenal ou do eclético Bimba, os mestres da capoeira baiana. São os próprios mestres, em desafio aos seus discípulos mais chegados. A capoeira sempre teve seu ambiente festeiro na Conceição da Praia. Pode-se em qualquer recanto reservado de outras festas, se encontrar rodas de capoeira, mas na Conceição, é uma das suas fortes características. E esta aí esta cantiga, que bem define a perfeita identidade da capoeira com a festa da Conceição:

Eu estava na minha casa
Quando a corneta tocou
Abram alas minha gente
Que o mestre já chegou
Capoeira da Bahia
Não foi feita pra mim só
Valha-me Senhor do Bonfim!
Valha-me Nossa Senhora
Imaculada Conceição!
Prevalece uma amizade
Do que dinheiro na mão

E neste ambiente dominado pela massa imponente da igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia, o povo, durante nove dias, renova-se na sua veneração à padroeira do comércio, renova-se também durante nove noites, neste mundo mágico da capoeira, do samba, da cozinha, do esplendor da cozinha baiana.

© aruera