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Joao Muniz
"De Wildeberger a Besouro"
ATarde 07 mai 1944
Poête né à Santo Amaro da Purificação, Bahia, Joao Muniz a laissé dans les pages du journal A Tarde un témoignage de ses impressions à propos du fameux capoeira Besouro, personnage qui, jusqu'a aujourd'hui est chanté dans les rodas de Capoeira. Le poête affirme, avec des des mots d'admiration :


Besouro foi a maior atração de minha infância. Seus combates simulados com Doze Homens, Ioiô, Nicori e outros capoeiristas seus amigos, ao som do berimbau e do pandeiro, eram espetáculos magníficos de força, agilidade e delicadeza, em que os suarentos e leais contendores se aplicavam, mutuamente, os perigosos preceitos de ataque e defesa, cuidadosos de se não machucarem, por que não saíssem malavindos do brinquedo. E Besouro, então, primava por essas atitudes de nobreza, ele que era respeitado como o primus inter pares, no recôncavo e no costeiro baianos, da luta, que lhe levaria o nome, em situação privilegiada, ao nosso folclore.

'Conheci Besouro na pujança dos seus vinte e poucos anos. Era amável, brincalhão, amigo das crianças e ‘respeitador dos brancos’. De uma coragem pessoal que parecia loucura, gostava de ‘buli’ com a polícia. E não raro explodia um turundundum dos diabos em frente à cadeia velha, sua terra natal. Era Besouro, que, noite velha, havia acordado o destacamento para um ‘brinquedo’, que se prolongava em correrias e tiros, e de que ele saía ileso e sempre sorrindo, como entrava.

'Às vezes, no calor da luta, tirava um pouco de ‘tinta’ nos praças, mas nunca matou ninguém. Tinha tanto horror a palavra assassino quanto adorava o termo valente, que lhe cabia a rigor.”

 

© aruera